Soltando as amarras...
O céu estava escuro e a lua, apesar de cheia, não iluminava, mas apenas garantia uma aura romântica àquela noite de quinta-feira. Ela já tinha percebido - sabia que já - mas não queria assumir a si mesma. Ainda guardava muitas inseguranças dentro de si e temia soltar as amarras de seu barco e deixá-lo ser levado pelo mar. As águas estavam plácidas e azuis. Ela podia confiar nelas, mas não queria enfrentar o risco de uma ressaca ou uma tempestade.
Olhando a lua, que teimosamente lhe parecia abrigar um "coelhinho", sentia que o barco se soltava. E o medo de se deixar ir ao alto mar ficava aos poucos para trás. Ela sabia que poderia enfrentar ressacas e tormentas. Já havia passado por elas e não fora fácil. Mas sobrevivera e saíra mais forte do mar revolto.
Ela já sabia - amava novamente. Não podia mais conter as amarras. Agradeceu ao luar por revelar-lhe o que já houvera vindo à tona. Desejou ser sempre guiada por aquela luz tênue e discreta, que a levaria longe, devagar.
E mergulhou...respeitando as águas, mas não deixando ser vencida por elas.
Chove. Que fiz eu da vida?Fiz o que ela fez de mim...De pensada, mal vivida...Triste de quem é assim!
Numa angústia sem remédioTenho febre na alma, e, ao ser,tenho saudade, entre o tédio,Só do que nunca quis ter...
Quem eu pudera ter sido,Que é dele? Entre ódios pequenosDe mim, 'stou de mim partido.Se ao menos chovesse menos!
Fernando Pessoa, 23-10-1931

3 Comments:
Oi irmã, realmente, por mais turbulento que esteja o mar, sempre haverá tempo de calmaria. Espero que essa tsunami que me abateu possa, depois de todo o trabalho de resgate e limpeza, mostrar que nem tudo ficou destruído. Os homens e mulheres de boa vontade trazem palavras mágicas. E com perseverança e boas perspectivas indicarão que junto se pode reconstruir o que se pensou acabado. Sente-se medo porque as marcas deixadas no corpo nos revelam que um dia já fomos feridos. Talvez isso, no início, nos iniba a buscar o outro lado do oceano. Sabemos que atrás da arrebentação haverá um porto seguro. Falta nos coragem. Mas sabemos que podemos vencer essas onda, que só são gigantes quando vistas da praia. Irmã, obrigada!!! Te amo muito!! Ale
Oi irmã, realmente, por mais turbulento que esteja o mar, sempre haverá tempo de calmaria. Espero que essa tsunami que me abateu possa, depois de todo o trabalho de resgate e limpeza, mostrar que nem tudo ficou destruído. Os homens e mulheres de boa vontade trazem palavras mágicas. E com perseverança e boas perspectivas indicarão que junto se pode reconstruir o que se pensou acabado. Sente-se medo porque as marcas deixadas no corpo nos revelam que um dia já fomos feridos. Talvez isso, no início, nos iniba a buscar o outro lado do oceano. Sabemos que atrás da arrebentação haverá um porto seguro. Falta nos coragem. Mas sabemos que podemos vencer essas onda, que só são gigantes quando vistas da praia. Irmã, obrigada!!! Te amo muito!! Ale
Oi Érica... Saudade de vc!!!! Amei o seu texto, como todos os outros. Mas só vou falar uma coisa aqui q lendo seu texto eu pensei... e comecei a rir sozinha. IMAGINA O JU LENDO SEU TEXTO AQUI NO BLOG? HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHHAHAHAAHHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHHA MEU DEUS... Érica, aí que ele vai encanar que você fala CERTO DEMAIS rs.... Ai, deu bobeira, liga nao rs..!
Mas eu achei maravilhoso seu texto. Ontem eu fiquei olhando a lua, nao identifico o que vejo nela, mas a minha unica certeza é que nela está a minha vontade de viver, pq devemos ser como ela: nunca deixar de brilhar.
Beijo menina... Te adoro por demais. E estou com muitas saudades de vc. Apareça ta?
Gi Guedes
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