No toca-CDs...
CD escolhido; uma tarefa difícil quanto se tem tantas opções e quando cada opção representa tanto – um momento, um cheiro, um afago, um lugar. Música escolhida; o que é ainda mais árduo quando se quer isolar apenas uma lembrança, dentre tantas e tão belas imagens que a mente acolhe carinhosamente.
Tudo isso para começar a escrever um texto – este mesmo - que mais uma vez se trata de canções, cenas provenientes de obras-primas e tão boas sensações. O cuidado com a seleção da música – que ocupa o toca-CDs por estes breves momentos - tem uma explicação: a vontade de fazerem palpáveis os sentimentos. Difícil...Afinal o que se vai dentro, bem ali no fundo, não pode ser tocado com as mãos.
Mas a necessidade é realmente esta - pegar com as mãos tão bons sentimentos, tão belas lembranças, tão graciosas imagens e aconchegantes canções e colocá-las para fora, expô-las a todo o mundo.
Não, isso não é egocentrismo ou exibicionismo. É apenas o desejo de que as pessoas sejam melhores, passem a sorrir mais, a cantar sozinhas enquanto tomam banho, enquanto tomam café ou quando saem para trabalhar sob aquela chuva imperdoável. É o anseio de que cada um e cada uma saibam o que é ter câibras nos ossos da face por permanecer com aquele riso no rosto, por manter por horas a fio a cara de “embasbacado”. É a tentativa de fazer com que cada um experimente as borboletas no estômago, as nuvens de algodão doce sob os pés e o vento que acaricia e leva e traz suas músicas preferidas.
Como em um filme surreal, tudo fica devagar ao seu redor. Os carros, ônibus e trens, os vendedores ambulantes, as pessoas que atravessam as ruas e aquelas que correm para não se atrasar, se movem em câmara lenta, como se dançassem uma valsa - todos em perfeita sincronia. E mais, eles dançam sem música, porque não há som, apenas ruídos que vêm baixinho de muito longe...ruídos que você sabe, são os acordes de sua cena preferida, da foto mais bonita que está guardada em sua mente. Apenas você se move, enquanto tudo gira ao seu redor e você flutua.
É como se você tivesse sido colocado em um quadro de Dali, cujas cores são muito vivas e te impressionam. E o que você faz neste cenário? Bom, você não precisa fazer nada, pois o Amor está fazendo tudo por você! Tudo o que você faz é curtir o momento, abrir-se ao que te toma, aguçar os sentidos para não perder nada. É bom fechar os olhos e sonhar, mas você está descobrindo que é muito melhor manter os olhos abertos. E também os ouvidos atentos, as mãos disponíveis, o coração entregue...
“I feel like dancing on my own,
Where no one knows me, and where i
Can cause offence just by the way I look
And when I come to blows
When I am numbering my foes
Just hope that you are on my side my dear.”
(There´s too much love – Belle e Sebastian)
