O Livro dos Dias

sábado, janeiro 29, 2005

Flowers in the window

"Let´s watch the flowers grow..."Era o que dizia a letra da canção que vinha ouvindo há tempos. E tentava segui-la, procurava apreciar as coisas simples e belas da vida. Mas nem sempre conseguia perceber a simplicidade, preocupada que estava em atender às complexidades que se impunham em sua vida, obstruíam-lhe o caminho. Apesar da luz sol que a enchia de vida e fazia brilhar e reluzir tudo ao seu redor, a estrada do dia continha pedregulhos, às vezes grandes rochas difíceis de serem escaladas. Quando a lua surgia, os pedregulhos não podiam mais ser vistos e ficava mais fácil desviar de rochas e sentir o contato dos pés com a terra molhada.

Sem ver o caminho tortuoso, podia sentir a luz iluminando seu rosto, os pingos de chuva caindo sobre seus cabelos, escorrendo-lhe pelas pontas dos dedos, tirando dela qualquer resquício de sentimentos pobres que houvera sentido. A vida parecia melhor quando ela simplesmente deixava de se preocupar em viver, mas permitia que o sopro divino que a mantinha neste mundo simplesmente passasse por ela, a acarinhasse e acolhesse. Sonhava. E sentia que aqueles sonhos não eram utopia, mas passíveis de tornarem-se realidade. Sob a luz da lua, ao som de belas canções que lhe invadiam, tais desejos pareciam-lhe palpáveis. Ao amanhecer, a torrente de dificuldades voltava a se lhe impor e ela sentia-se de mãos e alma atadas. Constatava, como houvera ouvido, que os tempos eram difíceis para os sonhadores.

As lágrimas surgiam. Mas não sentia tristeza. Queria despir-se de tudo que a pudesse fazer fraca. Resolveu transformar o calor do sol em dia e deixar que a magia da noite invadisse cada espaço de sua vida. Se o luar não permitia que os obstáculos fossem vistos durante a noite, era só fechar os olhos para transpassá-los, enquanto o sol brilhasse. Não sentiria as pedras, mas seria banhada pela luz. Desistiu de procurar a simplicidade no dia, camuflada sob preocupações e obrigações cotidianas e rotineiras. Queria apenas senti-la. Deixaria apenas que esta lhe invadisse e fizesse dela uma pessoa melhor. Assim, tornaria melhor tudo o que a circundava. Encheria de sorrisos não apenas sua face, mas os rostos amigos, que a observavam e torciam por ela. Percebeu que a escuridão e as dificuldades eram relativas. Variavam de acordo com o que ela podia enxergar, com que intensidade e em que direção.

Era melhor seguir... A música, a vida. "There is no reason to feel bad. But there are many seasons to feel glad, sad, mad. It's just a bunch of feelings that we have to hold."

Érica França

sábado, janeiro 22, 2005

Conquistas

Enfim, depois de brigar horas a fio com este bendito blog, consegui adentrá-lo...rsrsrsr...e pretendo fazer isso com uma certa frequência. Afinal, é a maneira de eu me comunicar com meus queridos amigos internautas. Nosso relacionamento não é meramente virtual, mas em razão desta insana falta de tempo, acabamos conseguindo nos ver, nos falar, saber o que anda acontecendo. Então, aqui estou e aproveito para dizer que estou melhor. A nuvem negra está indo embora e deixando-me mais forte - sempre.

"As lágrimas faziam um caminho já conhecido, descendo a pele marcada pelas lutas da vida. Não era velha, mas a vida já havia lhe mostrado percalços, já havia lhe imposto desafios e estradas tortuosas. Ia atravessando-as uma a uma, com resignação e força. A resignação muitas vezes era confundida com ingenuidade, uma ingenuidade burra, ignorante, que em verdade não existia. A força era camuflada, transformada em meiguice, gentileza, humildade. Um a um, os inimigos ficavam pelo caminho, sendo obrigados a aprender lições, a assumir fraquezas.
E ela ia, devagar, caminhando com a cabeça erguida, os olhos voltados ao chão. Levantava-os apenas quando PRECISAVA enxergar o horizonte. No mais, apenas o sentia. Ele se mostrava a ela, companheiro, por meio da brisa e do reflexo do Sol, da lua, das estrelas. Ao fechar os olhos, sentia-o dentro de si, iminente, cheio de gratas surpresas, delicadas canções, belas companhias.
Agradeceu as lágrimas que caíam. Mas mandou-as embora, ainda assim. Não as queria, embora as respeitasse e admirasse todo seu valor. Preferia o sorriso, ora tímido, ora largo e encantador. As dificuldades não cessariam, as estradas ainda teriam pedras e a bondade ainda seria confundida com falta de vigor. 'Ter bondade é ter coragem.' E ela continuaria na estrada, sentindo a brisa do horizonte em sua face, aceitando humildemente os desafios e superando-os, calmamente; GRANDIOSAMENTE."

Damien Rice - The Blower's Daughter
And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the timeAnd so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky
(tema do filme Closer. Vale a pena conferi-lo)

Érica França